A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que participará da audiência marcada para o dia 16 de março de 2026, às 9h, por videoconferência, no processo que discute a intervenção na Federação Maranhense de Futebol (FMF).
Na manifestação enviada à Justiça, a entidade deixou claro que é contrária à proposta de gestão compartilhada durante o período de intervenção.
Segundo a confederação, permitir que a administração da federação seja exercida simultaneamente por uma interventora judicial e por um representante indicado pela própria CBF não seria adequado para o funcionamento do sistema do futebol organizado.
A posição da CBF se baseia nas normas internacionais da FIFA, que estabelecem que federações e confederações de futebol devem ter autonomia administrativa e não podem sofrer interferências externas — inclusive do poder público.
De acordo com a entidade, a presença de um administrador que não pertence ao sistema do futebol poderia ser interpretada como interferência indevida. Caso isso seja caracterizado, existe a possibilidade de punições por parte da FIFA, que podem variar de restrições administrativas até uma eventual suspensão da própria CBF no cenário internacional.
A confederação afirma ainda que recebeu recentemente um comunicado da FIFA reforçando a necessidade de preservar essa autonomia institucional, mesmo em situações de intervenção.
Para reforçar sua preocupação, a CBF mencionou casos internacionais em que houve sanções por interferência externa na gestão do futebol. Entre os exemplos citados estão o Kuwait e a Nigéria.
No caso do Kuwait, a federação local foi suspensa após o governo intervir na administração do futebol. Já na Nigéria, decisões judiciais que afetaram a gestão da federação também resultaram em medidas punitivas aplicadas pela FIFA.
Segundo a CBF, esses episódios demonstram que a entidade internacional costuma agir rapidamente quando identifica situações que comprometam a independência das federações.
CBF defende condução da intervenção
A confederação também destacou que possui estrutura administrativa e conhecimento técnico suficientes para lidar com situações de crise envolvendo federações filiadas.
De acordo com a entidade, a responsabilidade de conduzir esse tipo de intervenção está prevista na legislação e já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, a CBF defende que o modelo mais adequado seria a nomeação de um interventor exclusivo indicado pela própria confederação, sem a participação de representantes externos na gestão temporária da FMF.
Ao final da manifestação, a entidade solicitou ao juiz responsável pelo caso que reavalie a decisão que permite uma administração compartilhada na federação maranhense.
A confederação afirma que não se opõe ao diálogo com o Poder Judiciário, mas ressalta que sua posição busca cumprir as regras nacionais e internacionais que regulam o futebol, além de evitar eventuais sanções que possam prejudicar competições e clubes brasileiros.
Entenda a origem da intervenção
O caso teve início após decisão da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, conduzida pelo juiz Douglas de Melo Martins. A Justiça acatou parcialmente um pedido de tutela de urgência apresentado pelo Ministério Público do Maranhão.
A decisão determinou o afastamento cautelar de Antônio Américo da presidência da Federação Maranhense de Futebol, além de toda a diretoria da entidade e do Instituto Maranhense de Futebol (IMF).
Como medida provisória, foi nomeada a advogada Susan Lucena Rodrigues para exercer a função de administradora temporária da FMF e do IMF por um período inicial de 90 dias.
Susan Lucena atua atualmente como diretora da Casa da Mulher Brasileira no Maranhão, um equipamento público voltado ao atendimento e proteção de mulheres em situação de violência.
Motivações da ação do Ministério Público
A intervenção foi solicitada pelo Ministério Público após a identificação de possíveis irregularidades administrativas e financeiras na gestão das entidades.
Entre os principais pontos levantados estão a falta de transparência na administração da federação, ausência de divulgação de documentos obrigatórios em seu portal institucional e suspeitas de confusão patrimonial envolvendo a FMF e o Instituto Maranhense de Futebol.
Segundo o MP, depoimentos colhidos durante a investigação indicam que o instituto teria sido criado para ocultar recursos da federação e evitar bloqueios judiciais relacionados à entidade esportiva.














