A Operação Inauditus, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (1º), revelou um suposto esquema de corrupção no Judiciário maranhense. As investigações indicam que o ex-deputado estadual Manoel Ribeiro pagou R$ 250 mil ao desembargador Antônio Pacheco Guerreiro Júnior para obter decisão favorável em processo envolvendo propriedades rurais avaliadas em R$ 50 milhões.
Segundo a PF, o esquema funcionava como um balcão de negócios dentro do Tribunal de Justiça do Maranhão. O delator revelou que o ex-deputado desembolsou R$ 150 mil logo após a concessão de uma liminar favorável em janeiro de 2021 e completou o pagamento com outros R$ 100 mil quando o mérito da questão foi julgado pela 2ª Câmara Cível.
O interesse por trás da compra dessa sentença era assegurar o recebimento de um contrato milionário firmado em 2017, no qual Manoel Ribeiro vendeu mais de 12 mil hectares de terra. Como havia um litígio judicial sobre parte da propriedade, os compradores inseriram uma cláusula que suspendia os pagamentos anuais de R$ 4 milhões caso o ex-deputado fosse derrotado na Justiça. Ao enfrentar decisões desfavoráveis na primeira instância, Ribeiro recorreu ao desembargador para reverter o cenário e garantir o fluxo do dinheiro.
A investigação do Superior Tribunal de Justiça resultou no afastamento imediato de Guerreiro Júnior, ainda na Operação 18 Minutos, e agora, do desembargador Luiz de França Belchior Silva, além da exoneração de servidores e o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão para desarticular a rede de venda de decisões judiciais no estado.














