São Luís amanheceu nesta sexta-feira, 30, sem nenhum ônibus circulando. A paralisação geral dos rodoviários começou à meia-noite e deixou paradas lotadas, passageiros sem alternativa de deslocamento e uma cidade inteira tentando se reorganizar às pressas para trabalhar, estudar ou acessar serviços essenciais. Por consequência, o trânsito está caótico devido a grande quantidade de veículos particulares e de aplicativo que estão nas ruas da capital.
A greve foi confirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (STTREMA) e é por tempo indeterminado. Diante do colapso no transporte público, o Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA) marcou para as 15h desta sexta-feira uma reunião de emergência com representantes de todos os órgãos e entidades envolvidos no sistema.
A audiência foi motivada após o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) comunicar oficialmente à Justiça do Trabalho o risco de paralisação total do serviço, considerado essencial. Em despacho assinado na quinta-feira, 29, o TRT notificou formalmente o SET, o STTREMA, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB), o Governo do Estado, a SMTT, a Secretaria Municipal de Governo (SEMGOV) e o Município de São Luís para participarem da reunião de conciliação.
SET pediu reunião urgente à SMTT e não teve resposta
A O Informante, o SET afirmou que tentou abrir diálogo direto com a gestão municipal antes da greve se concretizar. Em ofício enviado no dia 28 de janeiro à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), o sindicato patronal solicitou, em caráter de urgência, uma audiência com a nova titular da pasta para tratar da “ameaça de paralisação” anunciada pelos rodoviários e buscar alternativas de negociação.
No documento, o SET pede a definição imediata de data e horário para a reunião e disponibiliza contato direto para agilizar o agendamento, destacando a gravidade da situação e a proximidade da possível greve. Até esta sexta-feira, segundo a entidade, não houve qualquer retorno da SMTT.
Confira: Documento_12d9037 Ofício 007-2026-Pedido de Audiência Urgente.SETxSMTT.jan26
A ausência de resposta, de acordo com o sindicato das empresas, agravou o cenário de incerteza e dificultou a construção de uma saída negociada antes da paralisação.
Negociações fracassaram
A greve foi deflagrada após quatro rodadas de negociação sem acordo entre trabalhadores e empresários. O STTREMA afirma que as propostas apresentadas pelas empresas não contemplaram as reivindicações da categoria referentes à Convenção Coletiva de Trabalho 2026, cuja pauta foi protocolada ainda em novembro do ano passado.
Em assembleia realizada na terça-feira (27), os rodoviários aprovaram o indicativo de greve e concederam prazo de 72 horas para uma proposta concreta. Sem avanço, a categoria decidiu cruzar os braços. O sindicato dos trabalhadores classifica a paralisação como medida extrema e afirma que segue aberto ao diálogo.
SET acionou a Justiça para frota mínima
Paralelamente, o SET informou ter ingressado com medida judicial para tentar garantir a circulação de uma frota mínima de ônibus durante o movimento grevista. A entidade sustenta que o impasse também envolve a ausência de definição sobre o reajuste de custos do sistema, que depende de tratativas com o poder público municipal.
Segundo o SET, a iniciativa judicial foi adotada para tentar evitar um colapso absoluto no transporte da capital e da Região Metropolitana.
Sistema já vinha operando com falhas
A crise se instala em um momento em que o sistema de transporte já apresentava instabilidade. No início da semana, parte da frota operou de forma irregular devido à paralisação de trabalhadores da empresa 1001 (Expresso Rei de França), que cobravam salários e benefícios em atraso. Mesmo após pagamentos parciais, várias linhas continuaram rodando com número reduzido de veículos.
Com a greve geral desta sexta-feira, o impacto se ampliou drasticamente.
Gestão municipal em silêncio
Enquanto a população enfrenta longas caminhadas, superlotação em transportes alternativos e atrasos generalizados, a gestão municipal ainda não se manifestou oficialmente sobre a paralisação. A falta de posicionamento público e, segundo o SET, a ausência de resposta ao pedido formal de audiência aumentam a pressão sobre a Prefeitura por uma solução urgente.
A reunião desta tarde no TRT-MA é vista como a principal tentativa institucional de evitar que o caos no transporte público de São Luís se prolongue nos próximos dias.














