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São Luís chega ao 4º dia de greve

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São Luís entrou nesta segunda-feira (2) no quarto dia consecutivo de greve geral dos rodoviários, com a frota de ônibus totalmente parada, apesar de decisão liminar da Justiça do Trabalho que determinou a circulação de ao menos 80% dos veículos do sistema urbano e semiurbano. Na prática, nenhum coletivo foi visto circulando desde o início do movimento, causando mais uma vez prejuízos para milhares de usuários do transporte público.

A paralisação começou na sexta-feira (30), após fracassarem as negociações entre trabalhadores e empresários durante audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA). Desde então, a capital vive dias de paradas lotadas, longas caminhadas e corridas por alternativas como mototáxis e carros por aplicativo, que operam com alta demanda e preços elevados, patrocinados pelos cofres da Prefeitura.

Nova audiência no TRT e posição dos rodoviários

Uma nova rodada de negociação está marcada para esta terça-feira (3), às 9h, na sede do TRT-MA, no bairro Areinha. A expectativa é que o encontro avance nas tratativas sobre o reajuste salarial da categoria e possa ao menos sinalizar uma saída para o impasse.

Os rodoviários reivindicam reajuste de 16% para motoristas e cobradores e 18% para motoristas que acumulam função, enquanto o setor patronal apresentou inicialmente proposta de apenas 2%. Durante a última audiência, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (STTREMA) chegou a reduzir a pedida para 12%, mas não houve acordo.

Em comunicado divulgado no fim de semana, o sindicato reconheceu o empenho da Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB) nas negociações e afirmou que a equipe técnica do órgão analisa a contraproposta apresentada pela categoria. Por outro lado, a entidade criticou a postura do Município de São Luís, alegando que a Prefeitura, por meio da SMTT, tem participação considerada insuficiente nas tratativas.

A decisão judicial que determinou a circulação de 80% da frota continua em vigor, com multa diária de R$ 70 mil em caso de descumprimento, mas o impasse entre as partes mantém o sistema completamente parado.

SMTT vira “cadeira giratória” em meio às crises

A greve atual acontece em um cenário de instabilidade na própria estrutura da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), responsável pela gestão do sistema. Desde 2021, sete secretários já passaram pelo comando da pasta: Cláudio Ribeiro, Diego Baluz, Diego Rodrigues, Rafael Kriek, Daniel dos Santos Nascimento, Maurício Itapary e, mais recentemente, Manuella Oliveira Fernandes.

A troca frequente de titulares não tem sido acompanhada por mudanças estruturais no modelo do transporte público. A cada nova paralisação, a secretaria volta ao centro da crise, enquanto soluções definitivas, como uma nova licitação do sistema, seguem sem previsão concreta.

Nos bastidores, a SMTT é vista como uma das áreas mais desgastadas da administração municipal. Publicamente, o prefeito Eduardo Braide costuma manter distância direta das negociações, que acabam conduzidas principalmente na esfera judicial.

Greves sucessivas 

Desde o início da gestão Braide, São Luís já registrou nove grandes paralisações no transporte coletivo:

2021 – Greve iniciada em outubro

2022 – Greve de 43 dias, uma das mais longas da história local

2023 – Paralisação em abril

2024 – Paralisação em fevereiro e outra no sistema semiurbano em abril

2025 – Greve em fevereiro e duas paralisações envolvendo a empresa 1001, inclusive às vésperas do Natal

2026 – Greve geral iniciada em 30 de janeiro

Embora gestões anteriores também tenham enfrentado movimentos grevistas, a frequência recente transformou as paralisações em episódios recorrentes, quase previsíveis no calendário da cidade no governo Braide.

Hoje, no 4º dia de mais uma greve em São Luís, a cidade segue sem ônibus, com trabalhadores perdendo dias de serviço, estudantes faltam às aulas e consultas médicas são adiadas. O comércio também sente os reflexos, com queda no fluxo de clientes em diversas regiões.

Enquanto empresários e rodoviários trocam propostas e aguardam a audiência desta terça-feira no TRT, a população fica à espera de uma solução que, até agora, parece sempre provisória.

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